Google anuncia: Mobile a partir de Março de 2021 será mandatário

O Search Engine Optimization (SEO) envolve vários processos para melhorar o ranking de determinado website na página de resultados dos motores de busca (Search Engine Results Page, SERP) do Google ou outros motores de pesquisa. A jusante dessa otimização, há que entender o que fundamenta esse rankeamento, para o poder melhorar. Esse rankeamento é alavancado em quatro momentos.

Ranking: 4 momentos-chave

Primeiro, o crawling, também conhecido por “rastreamento” em português, no qual os bots do Google seguem os links e rastreiam as páginas da internet.

De seguida, é feita a indexação, de acordo com os resultados do anterior processo de crawling. Estes são armazenados nas máquinas do Google, formando um índice.

Depois, num terceiro momento, temos a busca propriamente dita. Isto é, quando alguém faz uma pesquisa no Google (por exemplo) e este, por sua vez, faz a sua pesquisa nas páginas do índice.

Por quarto e último, temos o rankeamento, momento em que as páginas no índice são analisadas e rankeadas, de forma a definir a sua posição na página de resultados do motor de busca (SERP).

Google John Mueller Mobile Index
Jonh Mueller (Webmaster Trends Analyst na Google)

Antes de 2016, o crawling e a indexação eram feitos pelos bots do Google como se estivessem a aceder a partir de um dispositivo desktop. Quer isto dizer que a versão a ser indexada e rankeada era aquela emanada dos computadores tradicionais. Mesmo que a pesquisa fosse feita a partir de um smartphone, os resultados nas primeiras posições das SERP eram baseados no ambiente desktop.

Mas o mundo mudou e o Mobile First Index Google chegou, agora de forma definitiva, depois de alguns anos de ensaios, testes e trabalho de campo. A gigante tecnológica norte-americana anunciou recentemente a chegada do Mobile First Index para Março de 2021. O lançamento estava previsto para Setembro deste ano, mas a pandemia veio complicar as contas da empresa sedeada em Mountain View, na Califórnia.

O que é o Mobile First Index?

Os índices do Google têm-se vindo a adaptar aos comportamentos dos utilizadores e o Mobile First Index Google é disso exemplo. O Mobile First Index Google já é um fator de rankeamento relevante há algum tempo, correspondendo às evidências – suportadas por dados – que comprovam a mudança de comportamento dos utilizadores.

Por exemplo, sabia que 3 em cada 5 pesquisas na internet são feitas através de dispositivos móveis? Quer isto dizer que o mobile já ultrapassou o desktop como ponto inicial para as buscas na internet.

Há ainda outro dado curioso, que nos diz que 77 % das pesquisas efetuadas com dispositivos móveis são feitas no trabalho ou em casa. Quer isto dizer que já não é só quando os utilizadores estão numa situação de mobilidade – na rua, por exemplo – que o mobile é o seu meio preferido. 

Segundo a Digital-Stats citada num artigo de Neil Patel, 75% das pesquisas mobile produzem pelo menos duas ações consequentes. Isto é, convertem.

(Fonte: https://neilpatel.com/blog/mobile-first-indexing/)

No mesmo artigo, é referido que a taxa de conversão situa-se nos 90%. De acordo com os dados revelados por Neil Patel, 9 em cada 10 pesquisas em aparelhos móveis resultam numa visita ou numa compra.

Finalmente, em 2016, o tráfego de dispositivos móveis (como os tablets e os smartphones) superou o tráfego oriundo de desktops. Nesse ano, o Google iniciou os testes de um novo tipo de indexação – e o Mobile First Index Google entrou em cena. Esta inovação sinalizou a resposta às mudanças de comportamento dos utilizadores, e também a crescente importância da Experiência do Utilizador para o Google.

Assim sendo, as versões dos websites desenhadas exclusivamente para desktops começaram a ser cada menos relevantes. Ao fim destes anos, a tendência tem agora uma data oficial. A partir de Março de 20021 o Mobile First Index Google será mandatório. Quer isto dizer que a versão do seu site dedicada aos dispositivos mobile – e não a versão para desktop – será aquela a ser indexada pelo motor de busca.

A mudança na indexação está a ser feita de forma gradual, mas na primavera do próximo ano, o seu site mobile ou site responsivo será a versão com que terá que se preocupar mais. O facto do site mobile ser o preferido do bot não significa que deixará de ser visualizado em ambiente desktop.

A questão é esta: o Google vai indexar a sua página baseando-se na forma como um smartphone vê a sua página. O índice será único e os momentos importantes – crawling, indexação, rankeamento – terão base nos dispositivos móveis. Do ponto de vista estratégico, convém dizer que a ascensão do site mobile como ponto de referência para o Google traz um convite implícito: se não mudou ainda, esta é a hora de mudar.

O que é um site mobile?

O que é um site mobile?

Atualmente, há dois tipos de sites que podem ser vistos em ambiente mobile: o site responsivo e o site mobile. O site responsivo adapta-se automaticamente ao dispositivo que o utilizador está a visualizar, ajustando-se ao tamanho de tela. De forma simples: o site será exibido da melhor forma para cada dispositivo.

O site mobile é desenhado especificamente para dispositivos móveis, como tablets ou smartphones, não sendo visualizado em computadores. O site mobile reconhece o dispositivo do utilizador e conduz o visitante ao site mobile, que funciona assim como um segundo site.

O que as empresas devem fazer para resolver esta situação?

Se o site da sua empresa foi criado pensando apenas na exibição em computador, se não é um site responsivo ou se não tem um site mobile, tenha o mês de março em mente. A partir daí, o Google irá indexar essa versão e, consequentemente, penalizar o seu rankeamento, visto que a páginas do seu site não são mobile friendly.

Para analisar o seu website pode consultar a ferramenta Google Testmysite da Think With Google. Outra ferramenta interessante disponibilizada pela Google é o Mobile-Friendly Test, que afere a resposta da sua página ao ambiente mobile.

No caso de pretender fazer um upgrade ao seu site, para um site mobile ou para um site responsivo, lembre-se de pensar em vários fatores. Deve, antes de mais, pensar em criar uma boa experiência mobile-first. Isto é, algo que tenha em conta, em primeiro lugar, a experiência do utilizador em ambiente mobile.

Se já tem um site mobile, com menos conteúdo do que a versão para desktop, inverta as prioridades. Mobilize os conteúdos – e os conteúdos que quer rankear – da versão desktop para o site mobile, adaptando-os naturalmente a este ambiente. De futuro, só os conteúdos mobile serão indexados e rankeados. Considere ainda:

  1. Verificar e otimizar a velocidade de carregamento das suas páginas;
  2. Utilize as Accelerated Mobile Pages (Páginas Aceleradas para Dispositivos Móveis), uma estrutura de página otimizada para mobile que carrega de forma mais ágil;
  3. Use dados estruturados e meta-tags nas duas versões (desktop e mobile);
  4. Confirme a eficácia do seu site mobile no Google Search Console, vendo como os bots do Google olham para a sua página;
  5. Produza conteúdo de qualidade nas duas versões;
  6. Foque-se no SEO Mobile.

Quer tornar a sua página num site mobile ou site responsivo, pronto para o Mobile First Index Google em Março de 2021?